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Marcelo Brodsky

 De 14 de Outubro a 20 de Novembro de 2011

Buena memoria: um ensaio fotográfico de Marcelo Brodsky

 

Um lugar de ausência?

Diógenes Moura

Curador de fotografia

Pinacoteca do Estado de São Paulo

O fotógrafo Marcelo Brodsky construiu um ensaio fotográfico a partir de ausência tão próximas quanto ele mesmo, o desaparecimento do seu irmão Fernando, do seu amigo Martín, dos amigos dos seus amigos, dos que ele já tinha ouvido falar e mesmo conhecendo eram estão próximos de uma mesma dor, de uma fenda que se abriu na vida e nas famílias de cada um dos desaparecidos, dessa amargura de um deus nunca revelado: Buena Memoria é um documento sobre a ditadura militar na Argentina em e todas as outras partes do mundo onde o sistema político atiçou (e ainda atiça) as suas garras.

 

O Processo de Trabalho

Marcelo Brodsky

Fotógrafo

Idealizador do projeto Buena memoria

Quando voltei à Argentina depois de muitos anos vivendo na Espanha, tinha acabado de completar quarenta anos e queria com a minha identidade. A fotografia, com sua capacidade exata de congelar um ponto no tempo, foi minha ferramenta para fazê-lo. Comecei a revisar minhas fotos familiares e as do Colégio, desde a juventude. Encontrei um retrato de nossa classe no primeiro colegial, tirada em 1967, e senti a necessidade de saber o que aconteceu com meus colegas de classe do Colégio Nacional de Buenos Aires para nos reencontrarmos depois de 25 anos. Convidei os que consegui localizar para uma visita à minha casa e propus tirar uma foto de cada um. Ampliei a foto de 1967, a primeira em que estávamos todos juntos, para que servisse de fundo para os retratos, e pedi que cada um trouxesse para o retrato um elemento de sua vida atual. Continuei tirando fotos dos colegas de classe que não vieram à reunião, mas como não era possível transportar a foto grande, eu levava sempre comigo pequenas cópias da imagem para incluir nesses retratos, que se realizaram em Buenos Aires, Madri, Robledo de Chavela (Espanha) e em Nova York.

Mais tarde, um ator foi organizado para recordar os colegas do Colégio que desapareceram ou foram assassinados pelo Terrorismo de Estado durante os anos negros da ditadura. Depois de vinte anos, as autoridades do Colégio aceitaram pela primeira vez que lembrássemos oficialmente, no auditório, os que faltavam. Foi um fato histórico. Resolvi trabalhar com a foto grande que serviu de fundo para fotografar meus colegas de classe e escrever na imagem uma reflexão sobre a vida de cada um deles. Ela foi concluída posteriormente, com um texto que acompanha os retratos.

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