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Exposição em cartaz l 29ª Bienal de São Paulo: obras selecionadas.

de 30 de junho a 21 de agosto de 2011


Há sempre um copo de mar para um homem navegar
Agnaldo Farias e Moacir dos Anjos
Curadores da 29ª Bienal de São Paulo

A 29ª Bienal de São Paulo está ancorada na ideia de que é impossível separar arte e política. Impossibilidade que se expressa no fato de que a arte, por meios que lhes são próprios, ser capaz de interromper as coordenadas sensoriais com que entendemos e habitamos o mundo, inserindo nele temas e atitudes que ali não cabiam ainda, tornando-o assim maior e diferente.

A eleição desse princípio organizador do projeto curatorial se justifica por viver-se em um mundo de conflitos diversos em que a arte se afirma como meio privilegiado de apreensão e de simultânea reinvenção da realidade. Essa escolha tornou-se necessária, além disso, para afirmar a singularidade da arte em relação a outras formas de entender e de intervir no presente, levadas quase ao ponto da indistinção em décadas recentes.

É nesse sentido que o título dado à exposição original, Há sempre um copo de mar para um homem navegar – verso do poeta Jorge de Lima tomado emprestado de sua obra maior, Invenção de Orfeu –, sintetiza o que se busca com a 29ª Bienal de São Paulo: afirmar que a dimensão utópica da arte está contida nela mesma. É nesse "copo de mar", nesse infinito próximo que os artistas teimam em produzir, que de fato está a potência de seguir adiante, como diz o poeta, "mesmo sem naus e sem rumos / mesmo sem vagas e areias".

Por ser um espaço de reverberação desse compromisso em muitas de suas formas, a 29ª Bienal de São Paulo põe seus visitantes em contato com maneiras de pensar e habitar o mundo para além dos consensos que o organizam e que o tornam ainda lugar pequeno, onde nem tudo ou todos são contemplados. Põe seus visitantes em contato com a política da arte.

A 29ª Bienal de São Paulo é, portanto, simultaneamente uma celebração do fazer artístico e uma afirmação de sua responsabilidade perante a vida; momento de desconcerto dos sentidos e, ao mesmo tempo, de geração de conhecimento que não sei encontra em mais parte alguma. Busca envolver o público na experiência sensível que a trama das obras expostas promove e também na capacidade destas de refletir criticamente o mundo em que estão inscritas. Oferece exemplos, enfim, de como a arte tece, entranhada nela mesma, uma política.

Foi para tornar a 29ª Bienal de São Paulo ainda mais inclusiva que se desenvolveu está iniciativa: levar seleções expressivas de obras que fizeram parte da mostra exibida no pavilhão do Parque do Ibirapuera para diversas cidades brasileiras. Embora seja obviamente impossível o transporte integral de exposição tão extensa e complexa para outros lugares, o trabalho conjunto entre a curadoria da Bienal de São Paulo e as instituições que recebem esses recortes permite que seus visitantes tenham acesso a vários de seus destaques, e que desfrutem, assim, do contato próximo com algumas das mais relevantes produções da arte contemporânea brasileira e internacional.

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