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Cristina Carvalho (PB | Projeto Residências Em Fluxo

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Abraço Com Fitas, Conversa Com Letras e Moradia Sem Paredes

Cristina Carvalho, artista selecionada no projeto Residências em Fluxo do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães – Mamam, do Recife, em parceria com o Sobrado Dr. José Lourenço, em Fortaleza, e com a Usina Cultural Energisa, em João Pessoa, expõe desenhos da série Penélope e desenvolve um trabalho de site specific, o Lote: Projeto Residência/Sem Número.

A obra de Cristina Carvalho é delicada e instigante. Com fitas, letras e paredes, o trabalho da artista paraibana salta das plataformas e assim se aproxima dos outros corpos. Em direção bem definida, não cria peças absolutas. Caminha numa trajetória em espiral, passando perto dos pontos anteriores e explorando cada trabalho sem deixá-los obsoletos.

O que está nas memórias de Cristina não vai embora. Assim acontece com os desenhos da série Penélope. Como a personagem da Odisseia, a artista faz e desfaz, mas também perfura, aplica, borda. O papel não só é desenhado, é bordado e agregado aos aviamentos e manchado pelas aquarelas. Texturas concretizadas por elementos da costura, talento da mãe que compôs o cenário da infância.

O local de exposição não é qualquer espaço e se transforma em tema para uma obra pensada justamente para ele. As fitas que abraçam o Sobrado e a planta baixa do[?] mezanino, representada na parede, surgem em outro momento da obra de Cristina. Após tratar do íntimo, compartilha anseios e traz a memória do lugar à tona.

Por 30 anos bordel, o Sobrado também foi casa e local de trabalho do Dr. José Lourenço. A planta baixa é a proposta de uma nova divisão de cômodos, transforma novamente o espaço em lar. O vídeo Palma, 1940 consiste numa performance em que a artista veste uma lingerie que traz bordada frases tiradas de livros (A Insustentável Leveza do Ser – Milan Kundera; O Banquete – Platão; A Arte de Amar – Ovídio; 1984 – George Orwell) e reproduz poeticamente a rotina das cortesãs que flertavam pelas janelas.

Cristina explora com garra a residência artística. Entre momentos de produção ativa e pausas, cria obras bem pensadas, mastigadas com paciência e, em primeira instância, belas.

Roger Pires

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