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3º Recorte da Contidonãocontido

 

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de 16 de dezembro de 2010 a 30 de janeiro de 2011

Constituída a partir da reunião de obras que, ao longo de várias décadas, foram adquiridas ou doadas a instituições e outras iniciativas vinculadas à Prefeitura da Cidade do Recife, atualmente a Coleção MAMAM reflete a diversidade a partir da qual foi formada. Nela, constam obras de aproximadamente 250 artistas de períodos, origens, linguagens e pesquisas variadas. Todavia, apesar da abrangência de seu acervo, possui lacunas significativas. Por ter herdado um conjunto relativamente aleatório de obras, bem como por ter apenas tardiamente implementado uma política de aquisição de acervo, à Coleção não se pode confortavelmente atribuir a função de historiografar a arte produzida a partir do século XX em Pernambuco. Como lidar, então, com essa condição?

A exposição contidonãocontido é a tentativa de estender a potência – e importância – dessa questão. Para simultaneamente exibir e problematizar a Coleção MAMAM, a mostra convida o público a pensar não só as qualidades, mas também os limites e vazios desse acervo: o visitante-pesquisador é convidado a engajar-se numa contínua pesquisa sobre artistas que escapam ao alcance da Coleção (ou que estão nela insatisfatoriamente representados), alimentando um acervo de informações que, além de colaborar no adensamento dos registros e documentos acerca da história da arte local, auxiliará nas próximas aquisições a serem feitas para a mesma.

Iniciada em março de 2010, a exposição acontece processualmente, organizando-se em três recortes curatoriais. Assim, contidonãocontido faz ver as várias possibilidades existentes por entre os discursos que, através das instituições e suas escolhas, vão aos poucos constituindo e legitimando uma espécie de versão “oficial” da história da arte.

Refletir sobre essas questões faz ampliar nossa percepção crítica acerca do campo da arte, suas dinâmicas e agentes diversos – como o artista, a instituição, o público, a crítica etc. Complexifica, portanto, o caminhar por entre esse espaço moebiano em sua ausência de rígidos limites entre “dentro” e “fora”, “contido” ou “não-contido”. Permeabilidade diante da qual é preciso, talvez mais do que nunca, posicionar-se criticamente.

Após seus dois recortes iniciais – o primeiro, um panorama da Coleção Mamam que enfocou narrativas menos legitimadas da história da arte de Pernambuco; o segundo, um olhar sobre os embates travados entre os paradigmas acadêmicos, modernistas e regionalistas que percorreram a produção local –, contidonãocontido chega à sua mostra final. No terceiro recorte, a exposição lança uma visão crítica sobre a formação da Coleção Mamam a partir do “estudo de caso” dos processos de aquisição das obras dos artistas João Câmara e Luiz Carlos Guilherme, as quais estão entre as maiores representações do acervo da instituição.

Com pouco mais de uma centena de obras cada, tais conjuntos experimentaram claras diferenças não só em seu processo aquisitivo (a série de João Câmara, foi comprada; as obras de Luiz Carlos Guilherme foram doadas), como também em suas frequências e circunstâncias de exibição, debate e divulgação na/através da instituição, desde seu período como Galeria Metropolitana de Arte do Recife até seu momento recente, como Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães. Se, de um lado, a série de João Câmara contou com exibição permanente ao longo de muitos anos, além de participações em coletivas ou individuais simultâneas, debates e publicações, de outro, o trabalho de Luiz Carlos Guilherme foi apresentado duas vezes enquanto estava vivo e uma única vez postumamente após sua aquisição, o que colabora para torná-lo desconhecido não apenas diante do público como, também, dos gestores, dos curadores e dos arte/educadores do próprio Museu.

A observação atenta aos percursos das obras de João Câmara e Luiz Carlos Guilherme na instituição – contidonãocontido apresenta, além de uma seleção de obras, também documentos e depoimentos que buscam lançar luz sobre essa história – faz ver a complexidade da Coleção Mamam e as variações nas políticas de exibição/aquisição que lhe foram atribuídas por entre distintas gestões. Que forças estão em jogo nos processos de legitimação da arte (ou de artistas e obras em especial)? Que posições podem os acervos institucionais ocupar nesse jogo, e que poder podem ter, sobre a história da arte de Pernambuco e do Brasil, as exposições e coleções do Mamam? Que concepções e parâmetros embasam os discursos e histórias que construímos e corroboramos?

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